Ele é responsável pela área de desenvolvimento da ZOOM e nas “horas vagas” sucesso no YouTube
Não são só as celebridades que ultrapassam os milhões de views na página do Youtube. Um brasileiro de 30 anos, formado em Design de Produtos e pós-graduado em Computação Gráfica, também chama a atenção do mundo inteiro na internet com seus vídeos de projetos de robótica, que unem precisão, talento, técnica e beleza.
Prova do seu sucesso virtual é que, em cerca de meia-hora de conversa com a reportagem, ele recebeu solicitações de cinco pessoas de lugares diferentes do mundo pedindo palestras, tutoriais e novas postagens através do seu canal do Youtube.
Atual diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da ZOOM e funcionário com mais tempo de casa na companhia, o executivo deu uma pausa na sua rotina compromissada para falar sobre novidades da empresa, crescimento do mercado de educação tecnológica no Brasil, experiências com a robótica que viveu nas viagens aos Emirados Árabes e Índia e também suas primeiras impressões sobre o mais novo lançamento da LEGO®, o MINDSTORMS EV3. Novidade que chega ao país no mês de segundo semestre de 2013.
Com vocês, o homem dos milhões de views da LEGO® ZOOM no Youtube, Arthur Sacek.
Arthur, você é atualmente o funcionário com mais tempo de casa na ZOOM. Seu primeiro contato com LEGO® foi na companhia?
Não, já tinha uma bagagem. Meu pai sempre viajava a trabalho e trazia LEGO® para mim. Assim foi o meu primeiro contato, sempre eu tinha os lançamentos.
Na época do Ensino Médio, a escola que eu estudava montou um laboratório com kits de robótica LEGOe colocou em nossos laboratórios. Fui um dos mais empolgados com a ideia. Mas, depois de algum tempo, o kit ficava parado, o que me deixava bem desanimado por não ter aula. Aí, por iniciativa pedi para desenvolver projetos com o LEGO. No 2º ano, desenvolvemos uma fábrica de embalar chicletes em caixinhas de fósforo, que chamou a atenção daLego Education Brasil na feira de ciência na época.
No 3º ano, por meio do LEGO®, desenvolvemos um robô capaz de brincar jogo da velha, e o pessoal da ZOOM nos convidou para uma feira na Bahia.
E esses contatos da época de colegial te ajudaram de alguma forma a entrarem na ZOOM?
Exatamente. Depois de seis meses na faculdade de Design de Produtos, aproveitei que conhecia algumas pessoas da ZOOM e entrei em contato pedindo para estagiar na empresa. Depois de alguns dias recebi uma resposta positiva e aqui estou.
Na época já trabalhava na área de desenvolvimento de projetos?
De forma bastante básica. Na verdade eu ajudava a desenvolver alguns projetos, que eram bem mais simples do que hoje em dia. Ainda não tínhamos o nosso departamento, que eu ajudei a montar dentro da empresa.
Existiam muitas diferenças de estrutura da ZOOM na época que você entrou, em comparação com os dias atuais?
Sim, muitas. Há 12 anos a empresa era apenas a representante no Brasil da LEGO® Education. O mercado era pequeno, a maioria das empresas e escolas nem sabiam o que era a Education. Analisando esse quadro, precisávamos criar alguns produtos para mudar isso, entre eles veio o lançamento da revista Zoom. Era tudo mais difícil no começo. Tudo o que eu ia aprendendo na faculdade, simultaneamente colocava em prática na ZOOM.
Criamos uma revista com modelos LEGO e atividades contextualizadas para as escolas brasileiras. Mas para produzir os guias de montagem requisitamos a licença de uso do software da própria LEGO na Dinamarca. Infelizmente o pedido foi negado A partir disso, vimos que havia a necessidade de criar o nosso próprio software e modelo de desenvolvimento.
(Nota: o sucesso do material didático desenvolvido pela ZOOM é tão grande que representantes da LEGO® Education em países como Argentina, México e China se basearam no formato brasileiro para aplicar em suas escolas).
Após todas essas experiências, qual é a sensação que te dá ao olhar para o passado e ver tudo o que já fizeram?
É gratificante pensar no quanto crescemos e no que a ZOOM se transformou. Dá muito orgulho. Antes as escolas nem sabiam o que éramos e hoje em dia temos até concorrentes. Um mercado se formou. Mas acho que o principal é ver o desenvolvimento das crianças com a ajuda do trabalho que desenvolvemos aqui.
Mudando de assunto, os seus vídeos no seu canal do Youtube possuem milhões de views, como tudo isso começou?
O Spirit foi o primeiro. Ele foi um pedido da ZOOM criado para uma etapa da FLL que tinha missões baseadas em Marte. Depois planejei fazer uma fresa (3D Milling Machine). O primeiro protótipo que desenvolvi não deu certo. Foi algo fiz na base do erro e acerto.
O 3D Milling Machine possui sozinho mais de 1,5 milhões views, quanto tempo demorou para montá-lo?
Demorei cerca de duas semanas. Costumo dividir o projeto em várias partes, sendo que começo pelas mais complexas, isso porque caso algo dê errado fica mais fácil de evitar problemas lá na frente.
O mais difícil foi a programação. Eu precisava que todos os dados 3D fossem transmitidos e compreendidos pelo NXT. Se não conseguisse fazer isso, não teria como ser de outra forma. Na primeira versão usava só o software da LEGO®, depois tive que mudar para outra linguagem, Java
Contei com a ajuda do meu irmão que é geofísico e do meu amigo Ivan SeidelSuas viagens para os Emirados Árabes (2011) e Índia (fevereiro de 2013) estão relacionadas ao sucesso que os vídeos tiveram na internet?
Sim. Nos Emirados Árabes fui convidado pelo WRO (World Robot Olympiad), um campeonato de robótica da Ásia. Lá foi montado um estande da LEGO com vários projetos interessantes da companhia no mundo todo. Tinha modelos dos EUA, Canadá, Europa. Sem dúvidas esses vídeos abriram uma porta. Recebi muito elogios.
E na Índia, como foi?
O convite surgiu no fim de 2012, pelo Instituto de Tecnologia de KHARAGPUR, que estava organizando uma espécie de feira cultural. Eles organizaram um evento no começo de fevereiro e me convidaram. Na ida, foi uma viagem muito desgastante, cerca de 48h viajando entre aeroportos e mais três horas de carro.(risadas).
Agora recebi mais um convite para apresentar os meus projetos numa feira de tecnologia na China, em julho. É impressionante como o mundo oriental investe bastante em conhecimento. Não só o Governo, mas empresas privadas também.
Dentro das experiências que viveu nos dois países que viajou, sentiu muitas diferenças entre árabaes, indianos e brasileiros, no campo da robótica?
Uma coisa que me chamou a atenção na Índia foi ver que eles têm muitos concursos de robótica lá mesmo sem grandes investimentos ou dinheiro para fazê-los. Tive a oportunidade de ver um em que a estrutura era precária e os materiais e equipamentos eram bem judiados e mesmo assim eles corriam atrás, se mostravam extremamente empolgados. O pessoal é muito interessado, mesmo sem recursos.
Em comparação ao que viu na Índia e EAU, acha que o Brasil está muito atrás?
Percebi o quanto precisamos desenvolver por aqui professores e alunos, ainda não estamos prontos. Aqui ficamos muito presos ao conteúdo. Na educação asiática, por exemplo, eles são mais estimulados e desafiados. A criatividade brasileira é enorme, só que somos um pouco acomodados. Por exemplo, esse lugar que falei não tinha condição nenhuma e mesmo assim eles iam atrás, buscavam respostas. Não era uma coisa só dos nerds.
Precisamos aplicar de uma maneira melhor a criatividade brasileira e sair da acomodação. Veja um exemplo no número de patentes, compare o que temos aqui e o quanto tem lá fora.
Por falar em tecnologia e robótica, o que achou do lançamento do MINDSTORMS EV3? Já teve algum contato?
Sim, meu primeiro contato foi na Malásia, durante a conferência mundial da LEGO® Education. Na minha opinião o novo MINDSTORMS será um grande sucesso, não só pelo hardware, mas principalmente por causa do software.
Como assim. No que se baseia exatamente sua opinião?
Porque ele está mais didático e fácil de trabalhar. Querendo ou não, adultos e crianças tem certa dificuldade com programação. Agora o aluno pode registrar a evolução do seu projeto e armazenar fotos e vídeos no próprio código, além de que a comunicação entre smartphones e outros EV3s é bem mais simples e rápida. Vai ser um produto de ponta, que fará sucesso não só no varejo, mas nas escolas também.
Como diretor de pesquisa e desenvolvimento tem contato com tudo que é novidade dentro da ZOOM, o que dá para adiantar?
Estamos trabalhando mais na integração com o mundo digital, não só para atividades feitas nas escolas, mas também em casa. A ideia é desenvolver ainda mais a gameficação e criar missões onde os alunos se sintam ainda mais motivados. Hoje as crianças recebem em nossas revistas e kits muitos estímulos, queremos mensurar o nível de interatividade disso. Esses materiais devem ser usados não para divertir, mas também para desafiar e agregar na educação deles.