Com as vendas em alta, tudo poderia ser uma grande festa para a LEGO. Mas a empresa continua querendo se reinventar — e uma das formas de fazer isso é vender mais para as meninas
Fonte: Maurício Oliveira, da EXAME
Crédito de imagem: Kazuhiro Nogi/AFP

Loja em Tóquio: até os 5 anos de idade, meninos e meninas gostam dos bloquinhos. Depois, elas perdem o interesse
Nos 4 minutos necessários para ler este artigo da primeira à última linha, cerca de 210 mil peças de LEGO serão produzidas. Com quase 80 anos de existência, a fabricante de brinquedos dinamarquesa exibe um vigor invejável. Considerando-se o apelo dos eletrônicos e das novas possibilidades de lazer e diversão trazidas pela internet, não deixa de ser surpreendente que a velha brincadeira de construir utilizando blocos continue conquistando adeptos.
Pelo último balanço, anunciado em março, o faturamento da LEGO cresceu 27% e atingiu 2,8 bilhões de dólares, o lucro de 666 milhões foi recorde, e a fatia no mercado global subiu de 4,8% para 5,9%, o que consolidou a empresa como a quarta maior indústria de brinquedos do planeta. Isso tudo num mercado estagnado e partindo de uma boa base — a LEGO manteve o faturamento e a rentabilidade em alta mesmo nos piores momentos da última crise econômica mundial.
Mesmo com números tão bons, a LEGO está empenhada em uma reformulação típica de empresas em busca do tempo perdido. Dos 242 itens do catálogo atual, 209 foram renovados ao longo do último ano ou são totalmente novos. Uma das inovações de 2010 foi o LEGO Universe, jogo em que a brincadeira de montar se torna virtual e, graças à internet, pode ser compartilhada por crianças geograficamente distantes umas das outras.
A empresa também lançou recentemente seus primeiros jogos de mesa, ainda não disponíveis no Brasil. E até seus tradicionais tijolinhos passaram por uma reformulação. Para tentar vender mais para as meninas, quatro novos produtos da linha Belville, cujo tema é a vida na fazenda, chegaram às lojas com tons suaves e cor predominante rosa.
Pesquisas mostram que, até os 5 anos, o mesmo número de meninos e meninas brinca com os produtos da LEGO. Depois dessa idade, as meninas começam a se interessar por outros brinquedos e acabam respondendo por apenas 20% das vendas.